Pessoal, a crise é séria mesmo. O preço do Nissin Miojo no meu supermercado de preferência subiu de R$ 0,88 para R$ 0,95. O trigo é um dos componentes do macarrão instantâneo, e o Brasil importa a maior parte do grão consumido aqui. Bernanke, por favor, salve a minha janta... Escrito por Philipe às 21h59
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12/10/2008
Cargo público
Dia desses encontrei um colega que não via há algum tempo. Ao perguntar-lhe sobre como estava, ele me disse que havia conseguido emprego (como engenheiro mecânico) numa grande siderúrgica. Siderúrgica, aliás, que tem reputação de ser muito exigente na contratação de pessoal. Confesso que fiquei com uma pontinha de inveja, pois pouquíssimos conseguem "fichar" na tal empresa.
Quando ele perguntou sobre o que eu andava fazendo, contei que era funcionário do estado, que havia passado em um concurso, etc. A reação dele me surpreendeu:
- Nossa, que beleza, hein? Você é fera mesmo, hein? Meu sonho é ser funcionário público!
Ato contínuo, fui assolado por certo mal estar. Uma coisa é alguém dizer "meu sonho é ser juiz" ou "meu sonho é ser delegado". Outra é alguém dizer que o seu sonho é ser "funcionário público", de forma genérica.
O setor público muitas vezes paga melhor do que o setor privado por funções semelhantes, e oferece a tão desejada estabilidade. Entretanto, é triste quando alguém diz que o seu sonho é "funcionário público", e não abrir uma empresa, inventar algum novo produto e serviço e ficar rico, ou algo do gênero.
O De Gustibus lança aqui uma nova rodada da complexa questão: em termos de patrimônio cultural material, o que deve ser preservado, e o que deve dar lugar ao novo?
Um exemplo que achei sempre interessante é o que se segue, retirado da seção de classificados de um jornal:
A casa do anúncio fica (ou ficava) no centro de Belo Horizonte, onde estão situadas diversas casas antigas (décadas de 1890 e 1900), que hoje possuem valor arquitetônico e histórico. Durante as últimas décadas a maioria já foi ao chão, o que torna elevado o valor das casas remanescentes. Devemos, então, preservar todas as que sobraram?
Por outro lado, o anunciante acima vende a casa pelo expressivo valor de (aproximadamente) R$ 1.400 o metro quadrado, sugerindo que seja construído um estacionamento no lugar. Se pede um valor tão alto pelo terreno, é porque acredita que os motoristas estarão dispostos a pagar caro pelo estacionamento. Se os motoristas realmente se disporem a pagar caro pelo estacionamento, é porque as vagas lhe oferecem bastante 'valor' (utilidade).
O mercado é muito bom em precificar ativos com liquidez razoável (como a casa acima). Entretanto, não faz um trabalho tão bom em precificar ativos que talvez nem sejam reconhecidos como tal, como o prazer estético em visualizar a casa, ou ainda o valor histórico da construção. Reconhecendo essa lacuna, foram criadas metodologias de avalição de "custo-benefício", que buscam dar valor a bens e serviços que, por diversos motivos, não se prestam a uma valoração satisfatória pelo mercado. Entretanto, essas metodologias também apresentam diversos problemas.
Pior ainda, os interesses de quem compra, vende e constrói são concentrados, enquanto os interesses de quem aprecia bens como a casa antiga em questão são difusos. Nesses casos, o que geralmente ocorre é que o patrimônio sem preço (o que não quer dizer sem valor) acaba cedendo lugar aos empreendimentos econômicos.
Certamente, há casos em que a demolição de casas antigas e construção de prédios novos e estacionamentos é o uso "socialmente" ótimo do espaço físico (que é limitado). Por outro lado, deve haver um número de construções antigas, superior a zero, que seja "socialmente" ótimo. A ausência de preço definido para seus aspectos imateriais, entretanto, dificulta (ou impossibilita) a definição do ponto de equilíbrio entre construções novas e antigas.
Não há, na minha opinião, uma solução fácil para esse problema. Caso o "capital social" da sociedade em questão seja elevado, poderíamos esperar o surgimento de associações do tipo "Amigos do Patrimônio", que poderiam atuar no mercado político para avançar sua agenda, tendo como contraparte o interesse dos desenvolvedores. Podemos contemplar também a criação de estruturas estatais dedicadas exclusivamente ao estudo dessas questões (como o IPHAN, no governo federal, e o IEPHA). Ambas as alternativas, entretanto, passam pelo mercado político que, como é sabido, apresenta diversas falhas (objeto de estudo da boa Ciência Política).
No caso destacado pelo De Gustibus, entretanto, parece que a população não se importa muito com a preservação dos templos antigos. Para complicar ainda mais a análise, outros templos (e não empreendimentos comerciais) serão construídos no lugar dos antigos. Talvez fosse o caso de preservar uma parcela pequena (talvez 10%) das construções antigas, as que forem mais diversas e representativas em termo de patrimônio cultural.
A Livraria Cultura reajustou nos últimos sete dias o preço dos livros importados quatro vezes... De ontem para hoje, foram 2 reajustes, num total de 5% de aumento. De duas semanas para cá, o aumento foi de 21%.
A coisa está ficando feia... ou já está feia? Escrito por Philipe às 14h27
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A volta de um fantasma?
A Livraria Cultura reajustou nos últimos sete dias o preço dos livros importados três vezes... A coisa está ficando feia. Escrito por Philipe às 08h35
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05/10/2008
Publicidade Ruim ou baixa PTF no setor de serviços brasileiro
Conforme explicado magistralmente por William Easterly em seu "The Elusive Quest for Growth" (em português, "O Espetáculo do Crescimento"), as pessoas tendem a se cercar de outros que lhe são semelhantes. Mais aqui. O exemplo que ele dá diz respeito ao mercado de trabalho, mas ele pode ser aplicado a grupos em geral.
Um excelente cirurgião, para exercer plenamente sua profissão, buscará sempre trabalhar com excelentes anestesistas. Excelentes anestesistas, por sua vez, procurarão trabalhar com excelentes enfermeiros. E onde são formados excelentes enfermeiros? Nas melhores faculdades. E onde estão as melhores faculdades? Nas grandes cidades.
Assim, é possível que algumas cidades polarizem uma região, um país ou mesmo todo o planeta. Por exemplo, Belo Horizonte, que possui 10% da população de Minas Gerais, deve possuir, digamos, 40% dos melhores profissionais de Minas Gerais. A cidade de São Paulo, com 5% da população do Brasil, deve possuir, digamos, 40% dos melhores profissionais brasileiros, etc.
A questão, então, é que o "resto" das cidades e regiões que são polarizadas sofrem uma espécie de "brain drain". Com muitos de seus filhos mais talentosos se mudando, essas áreas polarizadas sofrem com a queda da qualidade de trabalho. Para quem contato com uma cidade relativamente grande e uma relativamente pequena (meu caso), é notável a freqüente diferença na qualidade dos serviços oferecidos entre regiões relativamente próximas. Isso pode ser sentido no comércio, no atendimento médico, na educação, etc.
Nesse aspecto, entretanto, algo que sempre me chamou a atenção é a baixa qualidade da publicidade feita no interior... Hoje eu dou dois exemplos, retirados de um jornal que circula no interior de Minas Gerais.
"Adquira segurança, não compre alarme"? Soa estranho, não? Acho que ficaria mais condizente com o que queriam dizer se colocassem assim "Não compre alarme: adquira segurança".
Essa outra é de uma loja de eletrônicos. Qual é a pior parte do anúncio? O fato deles terem tirado um print screen de uma tabela do Word e colocado no anúncio? Reparem no grifo sob as palavras (ampliado no destaque). O fato deles colocarem o código interno de cada celular? O fato deles colocarem quantos exemplares de cada um existe em estoque (não é comum em anúncios do tipo)? A confusão dos nomes dos celulares (MOTOR-W270-PTO-LAR)? Não seria difícil fazer um anúncio melhor.
Ok, ok. Essa é de Belo Horizonte. Mas é porque é engraçada. Exotérico? Realmente, há coisas que estão fora deste mundo... =)
Muita gente gosta da idéia de política industrial. Há bons argumentos sobre porquê essa seria uma má idéia para o Brasil, agora. Bom. A maior parte do PIB brasileiro (cerca de 66%, do World Factbook) vêm dos serviços. Se a idéia é melhorar a qualidade de vida do brasileiro, e se o padrão de vida de um país depende da sua capacidade de produzir bens e serviços (Mankiw), seria melhor investir numa política de serviços (se é que o mercado não é capaz de fornecer eficientemente bons profissionais, como publicitários), não numa política industrial, não?
"Mas é que sem competividade, o Brasil não consegue exportar. Os produtos dos outros países são mais baratos". Bom, o câmbio do Brasil é flutuante. Eu recomendaria esta leitura também. E tem uma clássica do Krugman. Depois eu coloco o link aqui.
- Alunos, o olho é como uma máquina fotográfica: ambos são dotados de um sistema de lentes que recebe a luz e que a projeta invertida sobre um anteparo, que é a retina no caso do olho. Ambos possuem resolução de diversos megapixel, tocam MP3 e gravam vídeo em formato MPG...
Concorrência no Vestibular UFMG e preço de commodities
Outro dia eu mostrei que a concorrência nos cursos de Geologia, Engenharia de Minas e Engenharia Metalúrgica da UFMG nos vestibulares de 1998 a 2009 estão correlacionados com o preço do minério de ferro. Cabe lembrar que correlação não significa necessariamente causalidade.
Um outro exercício que eu fiz foi analisar os preços de commodities alimentares (conforme exposto pelo índice CRB Reuter Foodstuffs) e sua correlação com a média aritmética da concorrência dos cursos de Agronomia e Medicina Veterinária, também para os vestibulares UFMG de 1998 a 2009.
A correlação é alta, de 0,90. Entretanto, o sinal é o contrário do esperado (quanto maior o preço das commodities, menor a concorrência). Provavelmente a correlação é espúria.
Ou ainda, quando sobe o preço das commodities, a atratividades de outras áreas (como metais e óleo) pode subir mais rapidamente do que da área alimentícia. Se o preço da maioria das commodities variar positivamente ao mesmo tempo, como o que ocorreu nos últimos tempos, o gráfico pode fazer sentido: potenciais candidatos podem estar concorrendo a uma vaga, por exemplo, em Engenharia de Minas.
Um dos critérios que o Google utiliza para classificar (o famoso PageRank) os sites no seu mecanismo de busca é a qualidade dos links listados. Links quebrados, links que são redirecionados, links para páginas suspeitas, etc, penalizam o site, fazendo com que ele seja listado em posições menos visíveis. Assim, uma maneira de aumentar a visibilidade de seu site é melhorar a qualidade dos links.
Mas, como fazê-lo? São tantos os links que mesmo um site pequeno (como meu blog) lista que é muito trabalhoso conferi-los manualmente. Nesse caso, minha dica é usar um programa gratuito que se chama Xenu Link Sleuth. Você indica a URL que deseja pesquisar e o programa busca rapidamente o status dos links. Vale a pena dar uma olhada.
Não vou dar o link aqui, porém. Vai que ele quebra... =) [christianpior]Joga no Google![/christianpior].
Concorrência do Vestibular UFMG - Análise de Engenharia de Minas, Geologia e Engenharia Metalúrgica.
Como já tinha feito antes, aqui, hoje dei uma olhadinha em alguns aspectos da concorrência do vestibular da UFMG, para os concursos entre 1998 e 2009. Em especial, a ascensão de grupo de cursos, chamados aqui de G1, que englobam áreas correlatas à metalurgia e mineração, composto por Geologia, Engenharia de Minas e Engenharia Metalúrgica. Antes "patinhos feios", hoje eles são mais concorridos que a média dos cursos. É observada uma correlação (que não significa, necessariamente, causalidade) entre o preço do minério de ferro (retirado daqui) e a concorrência desses cursos.
No seguinte gráfico, G2 é composto por Engenharia Química, Engenharia de Controle e Automação e Geografia e Geografia (bacharelado e diurno). No G3, coloquei os cursos "tradicionais" de Medicina, Direito (média dos turnos para os anos de 2004 a 2009) e Engenharia Civil.
Conforme já observado, o grupo G2 flutua em torno de uma média e é ultrapassado pelo grupo G1 no final do período. O grupo G1 apresenta crescimento em todos os anos a partir de 2004 (esse, inclusive). O grupo G3 apresenta tendência de queda durante a maior parte do período, mas essa é revertida no final.
No gráfico acima, plotei os valores das concorrências do grupo G1, de 1998 a 2009, contra os valores da tonelada do minério de ferro. Há uma associação positiva entre o preço em dólares do minério e a concorrência no agregrado de cursos G1.
O gráfico acima mostra a evolução da concorrência total na UFMG e nos cursos do agregado G1, de 1998 a 2009. Vemos como a concorrência total apresenta uma tendência de queda (o declínio expressivo do concurso 2009 pode ser explicado pela abertura de novos cursos e novas vagas), enquanto o agregado G1 apresenta uma tendência de alta, ultrapassando a concorrência total da UFMG no final do período.
Em resumo: os cursos da UFMG, em geral, estão se tornando menos concorridos. Cursos ligados à mineração são exceção, o que talvez possa ser explicado pelo boom das commodities, como exemplificado e aproximado pelo caso do minério de ferro.
Depois vou fazer algo semelhante para outras commodities.
Nos próximos dias, vou repassar os posts antigos em busca de links quebrados, arquivos inexistentes, etc. Assim, buscarei me tornar mais visível para os algoritmos dos sites de busca.
Não farei a busca (totalmente) na "marra": vou usar o simpático Xenu Link, que é uma mão-na-roda...